transversal.mente

paul auster **na impossibilidade das palavras, na palavra por dizer que asfixia, é que eu me encontro **

quinta-feira, abril 28

 

a sombra de luz

se eu agora te disser que a minha é tua intenção.
escrever a luz e depois ir escurecendo.
como se o corpo por dentro se fizesse lume
à vez
brando
à vez vivo
recolhendo em borbotos essas labaredas de mãos
essas línguas de olhos
dançando
bruxuleando rente à pele. de repente até podíamos
apagar tudo. e deixar apenas uma faúlha.
uma incorpórea faúlha. por exemplo uma palavra. ou apenas um hífen
entre mim. e ti.

e repousar como cinzas. pó-no-pó-do-sangue. mineral
outro. vegetal outro. escavar no corpo
a vontade de nos refazermos. este leito fundo
aqui entre a terra e o nosso corpo
é quente. o remasnecente quente desse amplexo de luz
em que as nossas formas se consumiram.

e sombra é
esta nova forma crescendo e dando um significado
inteiramente novo ao dia. escurecemos
como luz.
fertilizando o dia. escurecemos como luz.

images

como sombra do segredo-
o fogo fátuo nas nossas bocas- essas mesmo
frutos dependurados de uma qualquer árvore. numa qualquer colina. num qualquer lugar.
de um tempo anterior. que importa. o vento nos faz sempre
mudar. ora pomo
ora bago
ora apenas minúsculo e frágil beijo
polinizamos a verdade
com novos nomes



arde essa árvore no princípio do mundo. e

no príncipio escreves luz. e depois vamos escurecendo.



assim seja.








de madalena a nuno. intenções cruzadas.
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